Ao início da manhã encontrámo-nos
no Hotel Artu, onde a maioria
dos participantes está hospedada. Recebemos as nossas etiquetas de
identificação e apresentámo-nos aos colegas que ainda não tínhamos conhecido.
Seguimos
a pé até ao liceo Asproni. A
caminhada demorou cerca de 30 minutos ao longo da estrada municipal principal.
No liceo fomos recebidos pelo diretor Ubaldo Scanu e
pelos responsáveis locais das áreas do desporto, entretenimento, educação e
cultura recebemos vários panfletos promovendo o turismo nesta região. Ficámos a
compreender que esta zona tem atravessado uma grande crise económica desde que
as minas encerraram em 1998. A exploração mineira era a principal atividade
desta comunidade e desde então têm procurado adaptar-se e outro meio de
subsistência.

Conhecemos uma das turmas envolvidas no projeto "cl@sse 2.0". Nestas turmas os alunos desenvolvem a maioria das suas atividades de aprendizagem recorrendo ao computador (têm netbooks emprestados pela escola), utilizam uma página individual do moodle que funciona como um dossier ou caderno diário onde vão colocando os seus trabalhos e pesquisas, que podem ser comentados e revistos pelos professores.
Pelo que me foi dado a perceber
as metodologias apostam muito na pesquisa sobre os assuntos centrais do
curriculum e numa abordagem interdisciplinar. Por exemplo, a propósito do
estudo da cultura grega, assistiram ao filme "300" e depois
investigaram a história real das personagens e realizaram uma (re)legendagem,
em inglês, do livro de banda desenhada que esteve na origem deste filme.
Ao final da manhã assistimos às
apresentações de alguns participantes, destaco os aspetos mais interessantes de
cada uma das apresentações:
- Julien, da França é formador na
área das ciências num centro de formação profissional. Apresentou um projeto
que irá iniciar no próximo ano (2013) que consiste na conceção de uma sala de
aula com uma organização do espaço e dos recursos que pretende ser promotora de
estratégias de trabalho cooperativo com recurso às tecnologias disponíveis na
escola, dispondo a sala de áreas específicas para a exploração de cada
tecnologia, podendo os grupos rodar pelas várias áreas conforme a necessidade
de cada projeto.
- Jianna,
da Finlandia é diretora de uma escola básica apresentou o sistema educativo
finlandês. Destaco o conceito que neste país existe de que os alunos devem
sentir-se em casa na escola. Como tal, não utilizam sapatos nas salas e têm
sofás e espaços de conforto. Claro que estamos a falar de crianças nos níveis
escolares iniciais. Mas a verdade é que a relação emocional que estes alunos
criam com o espaço escolar contribui para o seu empenho e envolvimento nas
atividades.
- Gunlog,
da Suécia é diretora de uma escola básica, apresentou um projeto que irá
iniciar em breve e que consiste na distribuição de I-Pads por 75 alunos do 5º
ano. Este projeto pretende ter continuação e alargar-se aos níveis seguintes de
modo a dar resposta a uma indicação do ministério da educação Sueco, que
pretende que as escolas deem mais relevo ao desenvolvimento das competências
digitais dos alunos. Nesta escola pretendem também que os programas
curriculares estejam disponíveis para os encarregados de educação publicando-os
no website da escola. Deste modo,
pretendem que os e.e. possam acompanhar com maior proximidade as atividades e
conteúdos das aulas, podendo apoiar melhor os seus educandos.
- Imma, da
espanha trabalha para uma agência governamental relacionada com formação de
professores, apresentou uma plataforma que apoia o processo de autoformação: www.xtec.cat
- Gabriela, da Hungria trabalha
para agência governamental atribuindo subsídios para projetos de dinamização
educativa e cultural, apresentou alguns projetos educativos que exploram a sua
relação com museus e outros agentes culturais. Apresentou também um projeto de
Autocarro-Biblioteca, que também existiu/existe em Portugal e que pretende
proporcionar acesso a livros a crianças de zonas mais isoladas. Esse é um
problema na Hungria ao qual a agencia da Gabriela procura dar resposta
promovendo uma maior igualdade no acesso a atividades e recursos educativos e
culturais que promovam a criatividade.
- Eugenia, da Espanha trabalha para o governo da Galiza como coordenadora de atividades e formação de professores, apresentou o sistema educativo espanhol e vários projetos da sua região dos quais estaco o projeto "Abalar" que procura integrar as TIC com as outras áreas disciplinares, ou seja assume-se a tecnologia como uma ferramenta para a construção de uma escola digital, que retire partido dos aspetos positivos da tecnologia como a possibilidade de exploração de diferentes conteúdos e suportes para a transmissão, edição e criação de informação.
- Eliska, da Républica Checa trabalha para um centro de formação SCIO que promove a educação de adultos. De entre as várias ofertas destaco um projeto que aposta na partilha de conhecimentos sob o lema "everybody can teach everybody". O conceito é que possamos criar uma formação sob um interesse particular nosso e proporcionar a outros a oportunidade de aprender connosco sobre esse tema. Este projeto pareceu-me interessante na medida em que o custo da formação depende do formador e poderia ser uma modalidade de partilha de conhecimento a adotar entre os professores...
Almoçámos
num restaurante local e de seguida fomos recebidos na câmara municipal e demos
um passeio pela parte histórica central da cidade tendo como guia um professor
de história do liceo que nos contou
sobre as origens desta cidade.
Destaco
a crise identitária de uma cidade que durante vários anos esteve relacionada
com uma atividade económica (exploração de minérios, especialmente prata) e que
atualmente está a tentar reinventar-se voltando-se para o turismo, uma mudança
que não está a ser fácil dada a crise financeira e a falta de uma cultura de
empreendedorismo que durante muitos anos foi reprimida, pois era esperado que
toda as pessoas que aqui viviam trabalhassem direta ou indiretamente para a indústria
mineira e portanto toda a formação e orientação eram nesse sentido.




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